A Chave da outra sala

Autor: Aarão Macambira

Quando amanhece eu caio em mim
O sonho que me fez voar acabou
Por um momento achei ser real…
As boas-novas não tão boas assim
 
Asas e ervas me fazem voar…
Só nos meus sonhos mais puros
Em meu sono mais profundo
Só nos meus sonhos posso tocar
 
Boa noite: é o destino da próxima viajem
Quando acordo ainda estou na estrada
Bem distante de onde quero chegar
E o medo que dá, me faz chorar
 
As gotas de mar no pára-brisa tem cheiro sol
Parece que eu morri e não sei
Andando em círculos sem chegar
Despertei daquela dor, mas ela ainda está
Onde mora meu propósito, eu não moro lá
Eu quero saber voar
Eu quero saber sonhar…
Pra saber tocar
 
A cor do som é sol
O por do sol é som
A luz da vela é o remédio
Que o choro de dor não cura
Que os olhos de amor não mudam
Viver ainda é melhor que morrer
Quem garante, não arrisca
Mas não larga o osso lambido
Como quem suga um seio com libido
E esquece que por dentro todo mundo é diferente
 
Morde…
Soluça
Beija
Entra morno no pecado…
E mais cedo é hora de acordar.
Fingir não significa ser
Mas o corpo mostra as marcas
A sua arte particular que não é exposta
E mais tarde na hora do jantar
Estender a toalha de mágoas sobre a mesa
Jarro de flores mergulhadas de cabeça
Afogadas as angústias em pétalas
 
E na hora de dormir, sonhar
Ao sonhar, voar
Ao voar, viver
Ao viver, despertar.

Devaneios ou panis et circenses

devaneios-1-de-guilherme-de-faria

Autor: alter ego

Passo o dia enrolando cabelo.
Sentindo intolerâncias.
Ânsias, anseios…
Deve ser o fígado.
Ando cansado, um pouco emotivo (talvez) desmotivado.
Trabalho, saúde, doença, saudade…
Rezo um “Pai Nosso” e tomo um calmante pra ver se a oração encurta.
Pra ver se o dia acaba a tempo de dormir.
O cabelo e o fígado em miúdos.
Há algo errado com isso tudo.
E a TV não corresponde mais aos apelos.
Nem nada em outra vida ou na próxima.
Acaba de chegar alguém, mas não é aqui.
O silêncio abafa algo aqui.
Eu não ouvi nem vi nada, não me chamem pra depor.
A paz é mesmo algo indispensável…
Cólicas. É bom saber que ainda estou por aqui, apesar de tudo.
Esforço-me para encontrar o cabelo perfeito, o fio mais cruel.
Ele não deve estar aqui junto aos seus pares. É Melhor que todos.
Bendito álcool! Afasta de mim o cigarro, os maus pensamentos vagabundos.
Devaneios que me corrompem, me devassam.
Raso, tenso.
Em mente coisas impróprias de serem ditas, mas convenientes de serem concebidas.
Por pouco!
Por muito pouco não obedeço a mim.
E tudo se dilui bem diante de mim. Em mim… Em minhas mãos.
Agora se foi, sou só eu de novo.
E me acovardo outra vez sem saber que isso me faz bem.
Eu acho…
O fígado não está são, tampouco, o que sobra.
Dissipam-se em ordem de cor tudo o que vem em mente.
Perco metade do que sou a troco de porra nenhuma.
Sem palavrões a vida não tem ênfase.
(só pra constar)
Cochila e acorda com dor.
Encolhe.
Uma boa idéia nesse momento seria totalmente inconveniente.
Nada como ter certeza do incerto.
Toda crise é obediente ao caos.
E quando se está assim é melhor não se perder de vista.
Qualquer passo em falso você pode quebrar os calcanhares.
A insônia das três.
Melhor que o sono das trevas…
Fazer o que, se sou assim?!
Não me resta muito a dizer agora.
Revirei meus botões e até agora, nenhum pensamento agradável.
Fazer o que, se sou mesmo assim?!
Foda-se, quem te ama!
Eu sou assim, chuto logo os ovos.
Não vou dar chance de o defunto levantar pra me pegar.
(risos) “Eu não!”.
Nem adianta insistir, não vou tolerar mais um instante.
Quem pensar que eu estou sóbrio…
Ganha uma dose de cachaça.
(ou um pedaço de corda pra adornar o pescoço)
“Mexa-se, soldado!”
“O rumo das coisas não vai bem.”
“E você ainda me vem com essa?!”
“É de ..!”
Em outra vida pode até ser.
Mas tá complicado…
O que vier agora… a crise engole.
(era lucro)
E nem adianta chorar.
Melhor engolir o chôro.
E engole todo, não deixa nada que possa nos comprometer.
“Você sabe como são os xeretas!”
Se pudesse pôr veneno em fofoca, o quarteirão inteiro ia pro beleléu.
Tem certas coisas que me inspiram.
Outras me fazem trabalhar.
“Acontece nas melhores famílias.”
Assim falou uma voz que veio do além.
E assim será até o papa dizer: Amém.
Tem um superman ali.
É maluco, quer voar, mas esqueceu a capa pendurada no orelhão.
Logo agora que precisava fazer a barba antes de salvar o planeta.
Com a cueca por cima da roupa, não dá mesmo!
“É osso!”
Bem que minha mãe avisou pra eu não vir ao mundo:
“Veio de besta, quem pariu foi o médico. Não tenho culpa.”
E assim se sucedem os causos mal contados.
Cólicas…
Com certeza são contrações intestinais.
“É bom fazer algo útil antes de morrer.”
Prometo que não esquecerei disto, ótimo conselho.
Será que no banheiro ainda tem papel?
Não adianta ficar aí pensando…
Agora é hora de agir ou então vai dar merda.
Outro dia penso em morrer…
Porque agora tem algo mais útil a fazer.
Será que no banheiro ainda tem papel?

Quando seu LAR é ALGUEM

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Autor: Aarão Macambira

Qualquer distância por menor que seja, é como se estivesse longe de casa, perdido no meio da chuva e sem saber voltar. Aquela falta de não se sabe o que, mas é o conjunto de tudo. O encaixe, os espaços preenchidos, o acolhimento…
 
E ao acordar pela manhã em outro lugar e olhar em volta, não saber onde está, mesmo que você já esteja habitando aquele lugar há muito tempo, ou até mesmo que este lugar já tenha sido sua casa. Saber que aquele não é seu espaço, sua casa e que apenas está ali tomando emprestado um pouco enquanto dia a dia trava uma batalha feroz com uma espera cortante, tendo de conviver apenas consigo ao ponto de descobrir que ser você só já não é o bastante, já não é mais possível. Não importa onde esteja, só se sente em casa quando partilha da presença de sua outra metade, quando ali está o seu abrigo, o seu pouso. Já quando se está longe, só encontra a paz e o sossego quando regressa aos braços de seu amor. Protegido por estar protegendo, guardando por se sentir guardado…
 
Os primeiros dias em distância são os piores. Depois quando se adapta ao exílio, sente a falta de tudo, do seu canto, das coisas em seus lugares ou fora deles… E não para de imaginar como seria se estivesse lá. Que seu lugar está lá guardado e que você perde tempo em não estar ali. Só pensa no dia em que poderá retornar! E quando chegar, lá estará seu lugar, seu leito intacto, quentinho, pronto pra te receber de braços abertos. E você ansioso e cansado da batalha, enfim saberá que naquele momento jamais devia ter saído dali. Mas que foi preciso, pra poder voltar fortalecido, pra aprender a amar as menores e imperceptíveis coisas, pra saber que aquilo tudo que sempre esteve lá provou que é seu. E que hoje estando de volta para tudo que um dia você deixou pra trás, se sentirá a pessoa mais feliz do mundo.
 
Saudades de casa…

Colabore com o meu natal

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Autor: Aarão Macambira

Todo fim de ano já estamos acostumados a encontrar por todos os lugares que freqüentamos as caixinhas com os dizeres: “colabore com o natal dos funcionários”. Nos balcões de supermercados, nas portarias dos prédios. Nos elevadores de condomínios também tem, acreditem, eu já vi: “Colabore com o natal do ascensorista”. Até nos jornais do mês de dezembro vem carimbado o pedido do jornaleiro.
 
É a indústria das moedinhas e das notinhas miúdas que no final do mês fazem a diferença no natal de muita gente. Eu não dôo, porque se todo mundo em todo lugar está pedindo, eu contabilizo que cada moeda ou trocado que eu deposito na caixinha de alguém, eu posso converter para o meu próprio natal. Acho que vou fazer uma caixinha pra mim também. Vou pôr em cima da minha mesa, quem sabe algum colega complacente não queira me ajudar com alguma contribuição? Colocarei um link no meu blog com o número da minha conta pra quem quiser depositar qualquer dinheirinho, poder ficar à vontade pra exercitar a caridade.
 
Já perceberam que no natal é sempre tudo igual? As caixinhas, as confraternizações com os colegas de todos os círculos com os tão clichês amigos secretos, não esquecendo as grandes campanhas da mídia. As doações para um natal sem fome, em que se arrecadam toneladas de alimentos para os carentes, é uma forma da burguesia tentar disfarçar a desigualdade social com um pouco de caridade no fim do ano. Legal, mas será que essas doações duram até o próximo natal? E os outros meses do ano que vem? Será que alguém está fazendo campanha pra alimentar esse monte de faminto? Ora, se o pobre coitado já sobreviveu o ano inteiro só com a ajuda de Deus, no fim do ano alguém tem que dar umas férias pra Deus que nem Ele é de ferro né? Já os pobres brasileiros, estes são de aço…
 
No natal as doações são sempre as mesmas, é a gorjeta do patrão para os funcionários que ralam o ano inteiro pra deixarem ele rico. Ou é esse desencargo de consciência da classe favorecida com campanhas de uma noite ou um resto de ano “sem fome” para os coitados. E o resto? Quando será que doaremos nosso bem mais precioso que é o amor ao próximo, a compaixão e principalmente uma política de distribuição da riqueza de forma humana? Esse não é o motivo do natal? Não foi isso que Cristo quis nos ensinar? Acho que todos pensam que no fim do ano Deus tira férias, vai pra uma praia nos Jardins do Éden e deixa os filhos aos cuidados uns dos outros. E à partir de janeiro Ele volta pra tomar conta dos desafortunados outra vez.
No fim do ano os pobres coitados agradecem a complacência dos ricos e os ricos por sua vez desfrutam de suas ceias de natal com a consciência tranqüila porque sabem que dali a alguns dias lá estarão de volta todos os seus empregados com os mesmos problemas, os sem-teto ainda sem-teto e a aquela sociedade do jeito que os ricos gostam, cheia de mazelas sociais de onde eles passam o ano inteiro sugando suas fortunas para no fim do ano ofertarem suas esmolas aos verdadeiros provedores das suas riquezas.
 
Por isso este final de ano eu vou montar minha caixinha pra pedir a contribuição de todos, e ao contrário de todo mundo, vou querer que coloquem algo melhor que moedinhas e gorjetas. Vou pedir a contribuição moral de cada um. Peço que depositem consciência, tolerância, honestidade, e amor. Neste natal, caberá algo maior do que moedas na minha caixa.

Paris expõe obras eróticas escondidas por 150 anos

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Mostra que não é de hoje que os bibliotecários tem essa característica censora e “puritana”. 

 Retirada do site uol: http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2007/12/05/ult2242u1538.jhtm

Daniela Fernandes
De Paris

A Biblioteca Nacional da França (BNF), em Paris, traz pela primeira vez uma exposição de livros e gravuras que foram mantidos escondidos do público durante mais de 150 anos devido ao seu conteúdo considerado altamente erótico e imoral.
A mostra “O Inferno da Biblioteca – Eros em Segredo” foi inaugurada nesta terça-feira (4) e aborda cinco séculos de erotismo em textos, desenhos e fotografias.
O “Inferno” era o nome do código criado pela biblioteca, em 1844, para catalogar obras consideradas libertinas e obscenas. Elas eram mantidas em um acervo de livros raros, e, para consultá-las, era necessário submeter o pedido a um comitê examinador.
“A decisão de impedir o acesso aos livros eróticos não era do poder público e sim dos próprios bibliotecários. No século 19, a BNF se tornou um local público para leitura e, como existia um certo puritanismo, as pessoas queriam evitar que livros ousados circulassem por todas as mãos”, diz Marie-Françoise Quignard, uma das curadores da exposição.
Em 1969, pouco tempo depois da revolução estudantil de maio de 1968, o “Inferno” da BNF, como acervo de obras “proibidas”, foi extinto. Mas o nome “Inferno” foi mantido para identificar obras eróticas.
Em 1983, as restrições que dificultavam a consulta das obras foram suspensas. Mas, para o grande público, a maior parte dos desenhos e textos continuaram desconhecidos.
Prostitutas
O “Inferno”, hoje, reúne cerca de duas mil obras literárias. As imagens mais antigas datam do século 16, mas há também obras recentes, como um livro de Pierre Bourgeade, ilustrado com fotografias de Joël Leick, editado em 2000 e catalogado no “inferno” com o número 2018.
Entre as várias curiosidades da mostra, está uma espécie de guia das “demoiselles” (senhoritas) de Paris, com endereços e especialidades das prostitutas, datado de 1791.
Com uma decoração em tons de rosa e de vermelho, a mostra traz diferentes períodos da história literária e social da França.
Uma parte da exposição é dedicada a personagens de romances. No século 17 e sobretudo no 18, considerado o “século da libertinagem”, vários escritores escreviam sob pseudônimos para evitar serem levados à Justiça por atentado ao pudor.
No século 19, obras como “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire, que causou grande escândalo no país, e textos de Prosper Merimée e Paul Verlaine passam a integrar o “inferno” da BNF, ao lado das primeiras fotos pornográficas.
Outra parte da mostra se concentra em obras aos autores do século 20, como Guillaume Apollinaire, Louis Aragon e Jean Genet.
A exposição, que é proibida aos menores de 16 anos, fica aberta até 2 de março de 2008.

Flores do prazer

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Autor: Aarão Macambira

Cada um de nós nasceu com uma ferramenta destinada ao xixi e ao prazer. Quando crianças, essas ferramentas só nos serviam ao xixi. Mal sabíamos que aqueles pequenos canais algum dia nos levariam aos prazeres mais absurdos do sexo. A volúpia, o gozo dos orgasmos múltiplos… Casais de amantes se multiplicam em seus delírios carnais. Um só em cada individuo não vale (ou não cabe, vai depender). Cada um tem que se personalizar em dezenas. Muitos fetiches, muitas fantasias. Múltiplos movimentos repetitivos. Poucas repetições das muitas performances. É o ápice do sexo artístico. É como um balé, totalmente sincronizado, cada personagem sabe o seu dever na troca do prazer.
 
Alguém já falou: “sexo é uma arte”. Fazer amor como nos livros mais calientes, como nos filmes eróticos, é deixar extravasar seus desejos mais íntimos, suas vontades mais obscenas. É o sexo moderno. O sexo livre. O sexo, ao natural e ao mais profundo animal. E não é o animalzinho doméstico, não. Não igual aos seus cães quando cruzam no jardim ou os gatos quando barulhentos copulam no telhado. É selvagem, como tigres em seus grupos, ou lobos em suas alcatéias. Será? O sexo animal, o sexo selvagem, nenhum deles se compara ao nosso. São tão chatos em uma única posição sem muito objetivo, não sei porque se usa essa expressão, “sexo selvagem”. Parece até coisa de outro mundo, mas que não tem nada de novidade. A fêmea por baixo, o macho por cima. Nada interessante. Nada de dois ou mais ao mesmo tempo, ou macho com macho e fêmea com fêmea. O sexo animal não tem nada de: ANIMAL! É muito comportado. Ah, que decepção senhores leões, senhoras tigresas, lobos, chimpanzés e avestruzes. Todos muito estereotipados nesse padrão de sexo duplex. Tudo um saco (um único saco mesmo).

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Já nós, homo sapiens, não estereotipamos. Nós somos senhores de nossas ações. Sabemos que podemos ir mais longe do que simplesmente procriar. Fomos realmente feitos para a conjunção carnal de lazer. Nossos corpos são playgrounds nossos e dos outros. Fomos feitos pra diversão! Nosso sexo é o melhor. Algo bem elaborado, como um filme. Nosso sexo é uma arte. Arte como um filme. Espera, há um problema nisso tudo. Não deveria ser assim. O sexo deveria ser uma arte, mas como a poesia e não como um filme. Sexo não deve ser feito como um script seguindo um roteiro. Sexo é como música que o conjunto toca numa seqüência melódica independente.
 
Nós seres humanos não fazemos mais sexo poético como antes se chamava “fazer amor”. Partimos para um falso progresso onde o sexo é determinista. Onde as flores do nosso prazer agora se chamam instrumentos ou ferramentas. Se pararmos e observarmos bem, nossas conjunções são tão performáticas que beiram o teatro cômico. Pernas para cima, cabeças para baixo. Palavras chulas e agressões que chegam a ser patéticas. O amor dos antigos poetas, hoje não passa de um teatro performático com marionetes despidas. Um sexo totalmente estruturado em padrões coletivos. Onde está o diferente? Cadê a individualidade? Existem até livros e manuais sobre como fazer sexo, como se fazer amor fosse como fazer um bolo. Em que somos diferentes dos bichos selvagens de copulação duplex? Em nada, seguimos apenas estereótipos mais complexos por sermos organizados mais complexamente. Será que realmente conseguimos satisfazer nossas vontades com uma transa tão cheia de rigores? O sexo de hoje não passa de uma grande anedota. Um grande teatro erótico movido a regras que se estabelecem até para o nosso prazer mais íntimo. Em que mesmo somos livres, se nem na hora do sexo sempre nos preocupamos menos em satisfazer a nós mesmos e a nossos parceiros em detrimento de uma “performance” que impressione como se nos orgulhássemos de sermos sexualmente adestrados. Não percebemos que até nesse momento somos manipulados. Estamos satisfazendo apenas um conjunto de valores eróticos que se estabelecem sem pedir licença e sem perguntar se concordamos.
 
Felizes são os poetas que ainda acreditam no amor. Felizes são as pessoas que ainda fazem amor com amor. Feliz “papai e mamãe”. Felizes são os animais que ainda tem o objetivo de procriar. Ah, sexo duplex dos animais, quando evoluiremos… Seria trágico se não fosse cômico.

Conversa de MSN

cerebro2.gif                                                                      Cérebro do crente 

Esse diálogo foi uma conversa com um amigo pelo msn.  O Vandiésio é um grande amigo meu e sabe que gosto dessas coisas. O que é isso Vandiésio? Acreditou foi? (rsrssr) Não se preocupa, que assim que eu fundar minha igreja, eu convido você pra fazer parte e dividir o dízimo.

15:52] Vandiesio:
fala garoto

[15:52] A a r ã o:
tou c raiva de vc viu

[15:53] Vandiesio:
pq mau amor?

[15:53] A a r ã o:
porra, tu fez um cha de panela e ñ me chamou

[15:54] Vandiesio:
rsrsrsrs

[15:54] Vandiesio:
cara nao cabia mais ninguem

[15:54] Vandiesio:
so foi o pessoal daqui do escritorio

[15:54] Vandiesio:
nem meus irmaos eu pude chamar

[15:55] Vandiesio:
a casa é muito pequena má

[15:55] A a r ã o:
nada a ver

[15:55] Vandiesio:
falei pro Fabio q qdo vc viesso chamaria vcs dois pra ir tomar umas la em casa

[15:55] A a r ã o:
ñ ker mais me misturar c seuas colegas novos de trabalho né? blz viu

[15:56] Vandiesio:
q é isso nenem

[15:56] Vandiesio:
se estressa nao

[15:57] A a r ã o:
eu ñ ligo mas p vc ñ

[15:57] Vandiesio:
qdo vc vem por aqui?

[16:00] A a r ã o:
tbm ñ kero mais conhecer sua casa ñ

[16:01] Vandiesio:
valha

[16:02] Vandiesio:
estava esperando tu vir pra gente passar um dia bebendo por la

[16:02] Vandiesio:
mas fazer o q né?

[16:02] A a r ã o:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

[16:02] A a r ã o:
bebo mais ñ porra

[16:02] A a r ã o:
agora sou evangelico

[16:02] Vandiesio:
tem problema nao

[16:02] A a r ã o:
nem bebo, nem fumo e nem falo mais palavrao

[16:03] Vandiesio:
EVANGELICO?

[16:03] Vandiesio:
SO SE VC TIVER CONHECIDO ALGUMA CRENTEZINHA POR AI

[16:04] A a r ã o:
vc sabe q ñ sopu disso

[16:04] A a r ã o:
me converti por jesus mesmo

[16:06] Vandiesio:
ta brincando né?

[16:06] A a r ã o:
ñ cara é serio

[16:06] A a r ã o:
voltei p aline e agora estamos servindo só a deus

[16:06] A a r ã o:
a cristo e ao sagrado evangelho

[16:06] A a r ã o:
é bom cara

[16:07] A a r ã o:
quando eu for aí, vou levar um material q evangelizar vc e a cecilia

[16:07] A a r ã o:
kem sabe vcs ñ se casam sob a benção do senhor

[16:07] A a r ã o:
olha q maravilhoso

[16:08] Vandiesio:

[16:08] Vandiesio:
o q te fez pensar assim?

[16:08] Vandiesio:
a aline?

[16:08] A a r ã o:
cara, é uma inspiração divina. só pode

[16:08] A a r ã o:
deus é muito bom

[16:08] A a r ã o:
aleluia!

[16:08] A a r ã o:
aleluia!

[16:10] Vandiesio:
q deus é bom, nao tenho duvidas

[16:10] Vandiesio:
mas prefiro servi-lo em minha propria religiao

[16:11] Vandiesio:
nada contra

[16:14] A a r ã o:
VC É CATOLICO NÉ?

[16:14] A a r ã o:
AHH

[16:16] Vandiesio:
sou

[16:17] Vandiesio:
é vc?

[16:17] A a r ã o:
mas cara, vc sabe q o catolicismo ñ é um bom caminho

[16:17] A a r ã o:
deus é divino, te converte irmão!

[16:18] A a r ã o:
te converte aos ritos evangelicos

[16:18] A a r ã o:
jesus espera por vc meu caro
[16:19] Vandiesio:
pq nao é um bom caminho?

[16:22] A a r ã o:
pedofilia, hipocrisia, isso tudo comprovado pela historia ñ é só nos dias de hj

[16:22] A a r ã o:
amigo

[16:22] A a r ã o:
diz q vc ker!

[16:22] Vandiesio:
kkkkkkkkkkkk

[16:23] Vandiesio:
tem em toda religiao meu caro

[16:23] A a r ã o:
oh gloria

[16:23] A a r ã o:
jesus te chama meu irmão

[16:23] A a r ã o:
só vc q ñ vê

[16:23] A a r ã o:
realiza teus desejos de ter cristo na tua vida
[16:24] Vandiesio:
pq vc queria ir ao cha de casa nova?

[16:24] Vandiesio:
la so tinha bebidas e muita musica doideira

[16:25] A a r ã o:
p ver vcs owra

[16:25] A a r ã o:
oq q é q tem?

[16:25] A a r ã o:
é aí onde os servos de cristo devem estar. levando a palavra aos q ñ a conhecem

[16:25] A a r ã o:
principalmente aos amigos

[16:25] A a r ã o:
aleluia!

[16:25] Vandiesio:
certo então
[16:26] Vandiesio:
vc está convidado a ir a inha casa da próxima vez q vier a fortaleza

[16:26] Vandiesio:
nao comprarei bebidas

[16:26] Vandiesio:
esperarei pra ouvir vc evangelizar

[16:26] A a r ã o:
isso meu irmão

[16:26] A a r ã o:
e com certeza, vamos no unir numa corrente de fé e louvar ao senhor

[16:27] A a r ã o:
vandiesio kero te ver chorar e dar glorias ao meu deus e tu veras como bom e grandioso ele é

[16:27] A a r ã o:
oh gloria

[16:28] A a r ã o:
q felicidade ver vc tentar abrir seu coração p deus

[16:28] Vandiesio:
irmao

[16:28] Vandiesio:
ta boa a conversa mas tenho q sair agora

[16:28] Vandiesio:
vou para o outro trampo

[16:28] A a r ã o:
tá certo

[16:29] A a r ã o:
vai na paz de cristo tá cara

[16:29] A a r ã o:
deus te abençoe

Consumidores de gente

cachorro.jpg

Autor: Aarão Macambira

“Eu preciso comprar umas pessoas”. Você acha que nós queremos dinheiro pra comprar presentes? Nós queremos mesmo é comprar as pessoas. Nós só sobrevivemos comprando os outros. Existem pessoas de todos os preços, umas são mais caras e outras bem mais baratas.
 
Nós compramos percentuais da vida das pessoas, assim como vendemos frações das nossas também. Saímos de casa todas as manhãs e trabalhamos oito horas em média por dia pra quê? Para podermos comprar gente! Sim, queremos muitos, queremos o máximo que podermos possuir. E como fazemos para comprar o máximo de pessoas possíveis? Nós nos vendemos, nos “traímos” muitas vezes para satisfazermos nossas obcecadas vontades de conforto e aceitação social.
 
Então, quanto mais dinheiro, mais frações da vida dos outros a gente compra pra poder sobrar mais frações das nossas. Eu não quero possuir uma casa ou um carro tão somente. Nem quero apenas ter dinheiro para sair pra jantar num restaurante classe A. Eu quero tudo isso pra comprar uma mulher bonita e inteligente pra mim. Eu quero ter dinheiro pra comprar a minha sogra, pra comprar um elogio, ou uma promoção, e se sobrar um trôco eu compro até um cachorro. Mas cachorros são cachorros, estes são bem mais sinceros que as pessoas. Os cães sim, valem o preço que pagamos por eles. Eu jamais deixaria de pagar qualquer quantia para ter um cachorro. Pena que não são os cachorros que comandam a Terra. Por isso, temos que nos valer mesmo de comprar “gato por lebre”, ou melhor, gente por cão. Os cães são bem mais dignos que os homens. Estes animais (os homens) se vendem na maioria das vezes a contra gosto, enquanto os cães se vendem ou se possível se doam sem olhar a quem. O mundo devia ser dos cães!
 
Mas sem falar mais em cachorros, que já provamos que são bem mais humanos que nós (seres humanos?). Quero mostrar que essa nossa agonia infinita de alcançar a felicidade, não passa de uma triste e infeliz odisséia vitalícia a procura de alcançarmos uma utópica realização existencial. Mera ganância inconsciente de possuir gente. É tudo que queremos: gente. Queremos ser donos do açougueiro, do cobrador de ônibus, da vendedora gostosa, da nossa companheira, namorada, mulher, amante (quase donos) e até nossos filhos. Sendo que não passamos de meros vassalos de todos eles porque de alguma forma nós também nos tornamos propriedade de outros por uma troca simples. Nós trocamos parcelas de vida com os nossos clientes, patrões, vizinhos, juízes e padres (também juízes), para podermos adquirir as pessoas que queremos. Então pode-se chegar a uma conclusão e realmente entender quando Rogério Skylab diz que todas as pessoas são “putas”.
 
Putas sim, todos nós. Prostitutas do cotidiano entregues a qualquer destino. Dispostos a abdicar do próprio prazer em razão do prazer do outro, para que num momento posterior possa usufruir o serviço do outro em prol do seu próprio prazer. Putinhas de escritório, frentistas de postos de gasolina. Putinhas das escolas, bibliotecas, restaurantes e bancos. “Oferecemos o melhor serviço em pronta entrega, sempre com os melhores profissionais à disposição”. É ou não, um anúncio publicitário de prostituição? O mercado das putas está lotado, e todos querendo vender seus serviços. O fórum, os shoppings, a igreja, as empresas, todos estão lotados de putas a espera do seu cliente. Vendem um sorriso falso, mas um serviço de qualidade, sem apego afetivo, tudo estritamente profissional. E eu faço a minha parte, me vendo até a ultima gota. Deixo que me possuam, deixo que me usem. E quando saio do escritório procuro esquecer aqueles momentos de exploração e trato de abusar de alguém pra ver se me sinto melhor. “Garçom, me sirva!”, “Moça, me atenda!”.
 
Então, se venda. Cobre caro pelo seu prazer e compre mais pessoas. Alugue quem lhe for conveniente. Não tenha piedade destas almas, olhe todos como “putas” que são. Consuma seus semelhantes. Extraia deles sua essência e acumule o seu. Canibalize todos. Individualize-se e encontre a felicidade! Mas não esqueça, quando quiser um pouco de carinho e sinceridade, compre um cão.