Autor: Aarão Macambira
Todo fim de ano já estamos acostumados a encontrar por todos os lugares que freqüentamos as caixinhas com os dizeres: “colabore com o natal dos funcionários”. Nos balcões de supermercados, nas portarias dos prédios. Nos elevadores de condomínios também tem, acreditem, eu já vi: “Colabore com o natal do ascensorista”. Até nos jornais do mês de dezembro vem carimbado o pedido do jornaleiro. É a indústria das moedinhas e das notinhas miúdas que no final do mês fazem a diferença no natal de muita gente. Eu não dôo, porque se todo mundo em todo lugar está pedindo, eu contabilizo que cada moeda ou trocado que eu deposito na caixinha de alguém, eu posso converter para o meu próprio natal. Acho que vou fazer uma caixinha pra mim também. Vou pôr em cima da minha mesa, quem sabe algum colega complacente não queira me ajudar com alguma contribuição? Colocarei um link no meu blog com o número da minha conta pra quem quiser depositar qualquer dinheirinho, poder ficar à vontade pra exercitar a caridade. Já perceberam que no natal é sempre tudo igual? As caixinhas, as confraternizações com os colegas de todos os círculos com os tão clichês amigos secretos, não esquecendo as grandes campanhas da mídia. As doações para um natal sem fome, em que se arrecadam toneladas de alimentos para os carentes, é uma forma da burguesia tentar disfarçar a desigualdade social com um pouco de caridade no fim do ano. Legal, mas será que essas doações duram até o próximo natal? E os outros meses do ano que vem? Será que alguém está fazendo campanha pra alimentar esse monte de faminto? Ora, se o pobre coitado já sobreviveu o ano inteiro só com a ajuda de Deus, no fim do ano alguém tem que dar umas férias pra Deus que nem Ele é de ferro né? Já os pobres brasileiros, estes são de aço… No natal as doações são sempre as mesmas, é a gorjeta do patrão para os funcionários que ralam o ano inteiro pra deixarem ele rico. Ou é esse desencargo de consciência da classe favorecida com campanhas de uma noite ou um resto de ano “sem fome” para os coitados. E o resto? Quando será que doaremos nosso bem mais precioso que é o amor ao próximo, a compaixão e principalmente uma política de distribuição da riqueza de forma humana? Esse não é o motivo do natal? Não foi isso que Cristo quis nos ensinar? Acho que todos pensam que no fim do ano Deus tira férias, vai pra uma praia nos Jardins do Éden e deixa os filhos aos cuidados uns dos outros. E à partir de janeiro Ele volta pra tomar conta dos desafortunados outra vez. No fim do ano os pobres coitados agradecem a complacência dos ricos e os ricos por sua vez desfrutam de suas ceias de natal com a consciência tranqüila porque sabem que dali a alguns dias lá estarão de volta todos os seus empregados com os mesmos problemas, os sem-teto ainda sem-teto e a aquela sociedade do jeito que os ricos gostam, cheia de mazelas sociais de onde eles passam o ano inteiro sugando suas fortunas para no fim do ano ofertarem suas esmolas aos verdadeiros provedores das suas riquezas. Por isso este final de ano eu vou montar minha caixinha pra pedir a contribuição de todos, e ao contrário de todo mundo, vou querer que coloquem algo melhor que moedinhas e gorjetas. Vou pedir a contribuição moral de cada um. Peço que depositem consciência, tolerância, honestidade, e amor. Neste natal, caberá algo maior do que moedas na minha caixa.Arquivos Mensais:dezembro 2007
Paris expõe obras eróticas escondidas por 150 anos
Mostra que não é de hoje que os bibliotecários tem essa característica censora e “puritana”.
Retirada do site uol: http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2007/12/05/ult2242u1538.jhtm
Daniela Fernandes
De Paris
O “Inferno” era o nome do código criado pela biblioteca, em 1844, para catalogar obras consideradas libertinas e obscenas. Elas eram mantidas em um acervo de livros raros, e, para consultá-las, era necessário submeter o pedido a um comitê examinador. “A decisão de impedir o acesso aos livros eróticos não era do poder público e sim dos próprios bibliotecários. No século 19, a BNF se tornou um local público para leitura e, como existia um certo puritanismo, as pessoas queriam evitar que livros ousados circulassem por todas as mãos”, diz Marie-Françoise Quignard, uma das curadores da exposição. Em 1969, pouco tempo depois da revolução estudantil de maio de 1968, o “Inferno” da BNF, como acervo de obras “proibidas”, foi extinto. Mas o nome “Inferno” foi mantido para identificar obras eróticas. Em 1983, as restrições que dificultavam a consulta das obras foram suspensas. Mas, para o grande público, a maior parte dos desenhos e textos continuaram desconhecidos. Prostitutas
O “Inferno”, hoje, reúne cerca de duas mil obras literárias. As imagens mais antigas datam do século 16, mas há também obras recentes, como um livro de Pierre Bourgeade, ilustrado com fotografias de Joël Leick, editado em 2000 e catalogado no “inferno” com o número 2018. Entre as várias curiosidades da mostra, está uma espécie de guia das “demoiselles” (senhoritas) de Paris, com endereços e especialidades das prostitutas, datado de 1791. Com uma decoração em tons de rosa e de vermelho, a mostra traz diferentes períodos da história literária e social da França. Uma parte da exposição é dedicada a personagens de romances. No século 17 e sobretudo no 18, considerado o “século da libertinagem”, vários escritores escreviam sob pseudônimos para evitar serem levados à Justiça por atentado ao pudor. No século 19, obras como “As Flores do Mal”, de Charles Baudelaire, que causou grande escândalo no país, e textos de Prosper Merimée e Paul Verlaine passam a integrar o “inferno” da BNF, ao lado das primeiras fotos pornográficas. Outra parte da mostra se concentra em obras aos autores do século 20, como Guillaume Apollinaire, Louis Aragon e Jean Genet. A exposição, que é proibida aos menores de 16 anos, fica aberta até 2 de março de 2008.

